Ferrovia de Integração Oeste-Leste atrasa


7 de outubro de 2011 - 23:00


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JOÃO PENIDO
Da Oeste Comunicação

O mapa mostra o traçado da Ferrovia Oeste-Leste. O Porto Seco, para embarque da produção agrícola do Oeste, ficará na divisa dos municípios de Luís Eduardo Magalhães e São Desidério. (INFOGRÁFICO DE JORGE BAHIA/FONTE: VALEC)


As obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), sofreram atrasos e agora a previsão da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias, estatal encarregada da construção, é de que o primeiro grande trecho, entre Ilhéus e Caetité, com 537 quilômetros, esteja concluído apenas em meados de 2013 (e não mais no final de 2012).
No momento, trabalham nos quatro lotes deste trecho cerca de 3 mil pessoas, sendo de 600 a 650 delas no lote cuja cidade sede é Brumado, com 178 quilômetros de extensão. O número é três vezes superior ao de abril passado, quando cerca de 1 mil pessoas trabalhavam neste trecho.
As informações são do superintendente de Construções da Fiol, Neville Chamberlain Barbosa da Silva. A previsão da Valec para o segundo grande trecho, entre Caetité e o Oeste baiano, com 485 quilômetros, é que deve estar concluído no final de 2014 (e não mais no final de 2013) . Mas as obras deste trecho, já licitadas, sequer foram iniciadas, uma vez que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ainda não concedeu a Licença de Instalação (LI), necessária para que as empreiteiros comecem a montar seus canteiros de obras.
Os dois primeiros grandes trechos estão orçados em R$ 6 bilhões. Não há previsão para o início nem para o final da construção do terceiro grande trecho, de 505 quilômetros , entre o Oeste Baiano e Figueirópolis, no Tocantins. Este trecho sequer foi licitado. Em Figueirópolis, a Oeste-Leste se bifurcará com a Ferrovia Norte-Sul. Com 1,3 mil quilômetros construídos, a Norte-Sul permanece sem prazo para o encerramento das obras e já consumiu mais de R$ 4 bilhões em recursos da União.
O principal motivo do atraso nos dois primeiros grandes trechos da Fiol, ambos já licitados, foram pendências ambientais.
O Ibama chegou a embargar as obras do primeiro grande trecho, dividido em quatro lotes, por 20 dias, entre 20 de julho e 9 de agosto, alegando que as condicionantes ambientais estabelecidas na Licença de Instalação não haviam sido cumpridas. Além disso, o Ibama vem demorando para conceder a Licença de Instalação do segundo grande trecho, cujas obras, já licitadas, não podem ser iniciadas pelas empreiteiras que venceram a licitação.
A expectativa do superintendente da Fiol é de que a Licença de Instalação do segundo grande trecho (Caetité-Oeste Baiano) saia até o final deste mês de outubro. Se isto ocorrer, as empreiteiras devem iniciar em janeiro do próximo ano os trabalhos de preparação do leito da ferrovia, que abrangem, por exemplo, desmatamento, terraplanagem, colocação de bueiros e até a construção de pontes. Nesse caso, o trecho Caetité-Oeste baiano estará pronto no final de 2014, informou Neville Barbosa.

Ibama exige mudança no traçado

Outro problema é que o Ibama  exige uma mudança no traçado da ferrovia, no trecho Caetité-Oeste Baiano, alegando que o atual passa por cavernas existentes nos municípios de Barreiras, São Félix do Coribe, Santa Maria da Vitória e São Desidério, e por áreas habitadas por diversas espécies de morcegos e macacos de papo amarelo.
A Valec deve concluir no final deste mês um estudo espeleológico que indicará qual variante poderá ser adotada. Como várias alternativas já estão levantadas, Neville Barbosa acredita que não haverá maiores problemas se for necessário mudar o traçado.
O trecho Caetité-Oeste baiano, informou, também está dividido em quatro lotes, da mesma forma que o trecho Ilhéus-Caetité. As cidades sedes desses lotes são Guanambi,  Santa Maria da Vitória e São Desidério. O quarto e último lote é específico para a construção de uma ponte de três quilômetros sobre o Rio São Francisco. “As especificações para a construção dessa ponte são bem mais ri-gorosas. Afinal, um trem pesa muito mais que um caminhão”, disse Neville Barbosa.
O superintendente de Consruções da Fiol considera este o trecho mais fácil, tecnicamente, de construir. “O terreno é plano e as épocas de chuva são mais bem definidas”,  disse.

Porto Seco.  No Oeste baiano, a ferrovia passará ao sul de Barreiras e de Luís Eduardo Magalhães e a Oeste de São Desidério. Em Luís Eduardo Magalhães, perto da divisa com São Desidério, será construído um porto seco, para que os grãos do Oeste possam seguir pela ferrovia. Esse terminal deve ficar pronto também no final de 2014.
Com isso, os agricultores da região Oeste poderão ter uma economia expressiva no custo do frete. Hoje, os produtores gastam cerca de R$ 100 para transportar uma tonelada de grãos por rodovia até o litoral baiano. Quando a ferrovia estiver funcionando, o gasto com frete cairá para cerca de R$ 20 por tonelada.
Primeiros trilhos. A previsão da Valec é de que em meados do próximo ano possam ser vistos os primeiros trilhos na ferrovia. É quando devem começar as obras de supraestrutura  (colocação de brita, dormentes e trilhos).  Essas obras são bem mais rápidas que as de infraestrutura.
Fica pendente o trecho entre o Oeste Baiano e Figueirópolis, agora sem qualquer previsão de início. Esse trecho não foi incluído como prioritário no PAC. A previsão inicial era que ficaria pronto no final de 2014.
Isso, porém, não é motivo de desalento para o superintendente de Construções da Fiol. “Já é um desafio concluir os dois primeiros grandes trechos, no estado da Bahia, que somam 1.022 quilômetros e equivalem a dois terços da malha ferroviária atual da Bahia”, disse Neville Barbosa.
Além disso, destacou, a Fiol “é uma ferrovia sofisticada, de primeiro mundo, do padrão da Norte-Sul e da Estrada de Ferro Carajás, compatível com a malha de carga existente nos Estados Unidos, na Austrália e no Canadá”.
Some-se a isso o fato de que a Ferrovia de Integração Oeste-Leste termina em um complexo portuário, o Porto Sul, na localidade de Aritiguá, próxima a Ilhéus. Assim, o transporte de cargas do Oeste Baiano para o litoral não dependerá de outros modais, o que vai agilizar a logística e reduzir custos.


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