RAUL MARQUES
Da Oeste Comunicaçao

Parte do armazém de mistura da Bunge Fertilizantes foi destruída.

Barracas de camelôs foram ao chão no Centro da Cidade.
A formação de um vórtice ciclônico – espécie de barreira de ar seco formada em altos níveis da atmosfera e que impede o avanço de frentes frias – causou a forte ventania ocorrida no Centro da Cidade no último domingo, 22. A ventania (caracterizada por ventos entre 62 e 88 quilômetros por hora) causou estragos na Bunge Fertilizantes, derrubando parte do armazém de mistura, em outdoors, placas de obras e barracas de ambulantes e até em antenas parabólicas ou de telefonia celular. O prédio onde funciona o Centro Administrativo da Prefeitura também foi atingido, necessitando de reparos e limpezam feita por meio de um mutirão de funcionários e até secretários municipais.
A ventania foi mais acentuada por volta das 18h30 e chegou a interromper a missa na Praça da Matriz que era celebrada pelo padre Jocleilson Sebastião da Silva, que vai assumir a Paróquia de Santa Rita de Cássia, no Jardim das Acácias, no próximo dia 4 de fevereiro. Padre Jocleilson, recém chegado à Cidade, nasceu em 3 de novembro de 1983 e foi ordenado padre há menos de três meses, em 26 de novembro de 2011.
O fenômeno só foi sentido no Centro da Cidade e imediações. “Nos aparelhos de medição instalados em Luís Eduardo Magalhães foram constatados apenas ventos de até 34,5 km por hora, o que não caracteriza ventania, mas no Centro os ventos podem ter chegado a até 88 km por hora em função dos problemas que provocaram”, disse a meteorologista Olívia Nunes, da Somar Meteorologia. Segundo a tabela Beaufort (abaixo), os ventos entre 75 e 88 quilômetros por hora podem causar danos aos outdoors e construções.
A seu ver, a diferença de pressão atmosférica entre a parte alta e a baixa, ou a de umidade, provocou a rajada de vento localizada que causou a derrubada de vários outdoors e das placas. “Esta rajada é como se fosse um sopro em uma folha de papel, de cima para baixo, com bastante força. Com a ventania não foi generalizada, os aparelhos, que não ficam no Centro, não a registraram. Este vento é o acerto entre duas pressões atmosféricas bem distintas, entre dois níveis de umidade”, disse, esclarecendo que esta rajada pode provocar chuva forte, o que de fato aconteceu naquele domingo, na região central da Cidade.
“É como se a borda do vento deste vórtice se chocasse com a pressão de baixo e gerasse a ventania repentina. Este fenômeno não é isolado”, disse.
-
-
Olívia Nunes (Foto: Arquivo Pessoal)
-
-
Mara Agnólia
-
-
Fabiano Teixeira (Fotos de Raul Marques)
Estragos. A ventania começou por volta das 18h15 e já podia ser percebida neste horário pelos assinantes da Sky, do SPORTV, ou da Embratel que viam televisão por satélite. Não houve sinal por vários minutos. A ventania tomou corpo por volta das 18h30, quando faltou luz na Praça da Matriz, e o padre Jocleilson resolveu levar a missa à frente até por razões de segurança.
“O Padre não podia deixar o pessoal sair naquela situação, de vento e chuva forte. Foi uma missa linda, em que todos participaram e tudo terminou bem”, disse uma pessoa que esteve presente na missa.
Fora da igreja, a placa da obra da Praça Sérgio Alvim Motta caiu e uma lixeira chegou a ser arrancada e levada pelo vento. Na banca de jornal, o toldo que a protege também não resistiu. Uma senhora quase foi atingida por uma espécie de vaso de plástico que voava na região.
No trevo da BR 020 com a 242, um outdoor caiu no chão, com a barra de metal que o segurava entortando com a força do vento. Segundo populares, o vento chegou com força total, junto com a chuva. Houve locais na cidade em que choveu granizo, segundo moradores.
Na Rua Paraná, quase em frente ao Bradesco, teria caído uma antena de Internet na rua. Mesmo os porteiros dos prédios, não confirmando a história, pedaços de metal estavam sob a pista da rua.
Na Rua perpendicular, a José Cardoso de Lima, estavam no chão, absolutamente arruinadas, duas barracas de ambulantes que ali trabalham. Fabiano Souza Teixeira e Mara Agnólia de Souza estavam arrasados com o que aconteceu. “Temos que começar de novo”, disseram. Na terça-feira, depois de um mutirão que contou com a participação de amigos, o casal de ambulantes já estava pronto para voltar a trabalhar.
Na Bunge Fertilizantes, talvez a mais atingida pela ventania, os estragos permaneciam sem qualquer sinal de recuperação. Segundo informações de dois funcionários que lá estiveram na segunda-feira, para verificar os danos, a empresa encontra-se em férias coletivas até fevereiro. Os dois avisaram a Central e esperam providências.
Mais chuvas. As previsões não são boas para os próximos dias em Luís Eduardo Magalhães, levando-se em conta a pressão atmosférica e a umidade do ar. Segundo a meteorologista Olívia Nunes, uma nova frente fria está vindo do Sul para o Oeste da Bahia neste final de semana. Na direção contrária, está chegando uma massa de ar úmido da Amazônia, o que deixa a região suscetível à ocorrência de novos episódios de vórtice ciclônico, com o ar quente do vórtice chocando-se com a massa de ar úmido e a frente fria, gerando chuvas e mais ventos.
A previsão é de que chova com força até a terça-feira, quando está prevista precipitação de até 53 mm, aumentando as chances de a ventania se repetir, disse a meteorologista.
Não há matéria relacionada.